O festival do Rio aconteceu e não tive tempo de fazer maratonas de pipoca, ora, estou na flor da idade, sempre recomeçando e trabalhando. Mas não pude deixar de ir ver mais um filme surpresa. Vi “Turistas”, nem mesmo guardei o nome da cineasta chilena, mas adorei.
É sobre uma mulher que parou em um lugar desconhecido. Parou, foi outra brincadeira, porque ela caiu mesmo, assim como o filme parece sugerir a todo instante o verbo cair, que cai como uma luva.
A personagem cai num lugar que é o oposto do que conhece, e agora está no meio do mato, e a troca pela urbe, deveria ser apenas férias, mas é um confronto muito íntimo, que a faz cair na real. Porque no mato, não há só flor que se cheire. Se depara com o espelho alheio, e logo ela que até pouco tempo atrás sustentava mentiras e até uma suposta gravidez, vê-se através dos outros. Mas nem tudo é abismo, longe de casa e do marido, conhece alguém que a leva para mais longe ainda, para ela mesma.
9.10.09
24.9.09
Número Errado
- Carlão, vem grandão, meu marido já foi trabalhar...vem aqui, vem brincar de King Kong...
- Não, moça aqui é o...
- Ih, você tá com a sua mulher? Quando você não me chama pelo nome...
- Você ligou pro lugar err...
- Que pena porque eu queria comemorar a minha sessão de fotos... você viu como o silicone que você me deu ficou lindo na foto? Agora eu sou sua espanhola...
- Qual o número que você...”
- Ah, eu tô com 46 de busto agora, Carlão, vai me dar um sutien? Eu quero transparente.
- Onde você tá mesmo?
- Sua mulher saiu de perto? Vem Carlão, vem, que eu quero comemorar, tô com um tesão danado.
- Tá, eu vou, mas eu não sou o Carlão!
- Não? Quem é você?
- Eu sou o Ricardo.
- Seu tarado!
- Não, moça aqui é o...
- Ih, você tá com a sua mulher? Quando você não me chama pelo nome...
- Você ligou pro lugar err...
- Que pena porque eu queria comemorar a minha sessão de fotos... você viu como o silicone que você me deu ficou lindo na foto? Agora eu sou sua espanhola...
- Qual o número que você...”
- Ah, eu tô com 46 de busto agora, Carlão, vai me dar um sutien? Eu quero transparente.
- Onde você tá mesmo?
- Sua mulher saiu de perto? Vem Carlão, vem, que eu quero comemorar, tô com um tesão danado.
- Tá, eu vou, mas eu não sou o Carlão!
- Não? Quem é você?
- Eu sou o Ricardo.
- Seu tarado!
22.9.09
Segunda-feira não é mais dia de dieta
Ontém foi o primeiro dia do evento "Segundas de Primeira", no Conversa Fiada de Ipanema. Foi mesmo de primeiríssima qualidade. Shows com belíssimas vozes femininas cantaram e recitaram Vinícius de Morais. A neta do "poetinha" foi a grande atração da noite, cantou lindamente, nos dando uma overdose de seu talento. Depois de bêbados de boa música, teve humor na medida certa. Quem disse que humor não pode ser chique? A fofa atriz, lamento não saber seu nome, com uma esquete sobre paixão e despedidas, enganou deliciosamente a platéia com um beijo arrebatador num carinha supostamente platéia. A mais nova balada cultural é divertida e é pra quem gosta de arte de verdade. A noite ainda tem cereja no bolo, termina com sarau aberto, provando que existe vida para quem não está na mídia. Viva segunda-feira!
endereço: Vinícius de Morais, 75. Ipanema
endereço: Vinícius de Morais, 75. Ipanema
16.9.09
O melhor de todos os verões
Mila, você já viu o olho do furacão? Mila era bem mais velha do que eu. Tinha 12 anos, e eu 10. Era muito difícil impressioná-la.
- Claro. Que não. Aqui não tem furacão.
Mas já teve um, quando você viajou com seus pais pra BH.
- No verão do ano passado?
Toda vez que ela se interessava pelas coisas que eu dizia, eu contava pontos. Um... Foi. Foi num dia muito quente que peixe nem pulava do mar com medo de cozinhar em banho-maria.
Ela parecia que não queria ouvir mentirinhas.
- Você e suas histórias, Bento.
Menos um... É, mas foi verdade que eu vi o olho do furacão. Estava tão quente que o pessoal do condomínio inventou um jeito de refrescar o pátio. O Bifão ligou o chuveirão e colocou um ventilador pra espalhar água n'a gente...
- Sei, mas e o olho...
Menos um. Não, mais um, ela estava interessada no fim da história... Então, todo mundo estava molhado e suado e o pai do Chico resolveu levar a gente pra refrescar de verdade. Naquele carrão dele, de rali. O pessoal molhou o carro todo, mas não tinha problema, porque carro de rali é pra essas coisas.
- E aí? Fala logo.
Mais um. Agora são dois... E aí a gente foi numa praia quase deserta com muita onda pra surfista. Tinha muita gente na água surfando...
- Muita gente? Não tava deserta?
Eu disse quase deserta.
Os olhos de Mila me confundem. Droga, menos um... Na verdade eram uns cinco surfistas, saíram correndo, ou melhor nadando. Não, correram e depois...
Mila já estava nervosa, devia ser de ansiedade. Mais um.
- Nadaram e depois correram, ahn?
E disseram que as ondas estavam crescendo estranhamente, que parecia maremoto.
Mila estava incrédula.
- Maremoto no Brasil?
De repente o mar subiu tanto, mas tanto que se juntou com um vento redondo vindo de uma nuvem, e ficou girando, girando...
- Nooossa!
Eu adoro quando você gosta das minhas histórias, Mila. Não vai pra BH nesse verão não? Eu prometo que esse verão vai ser o melhor de todos os verões.
- Melhor que ver olho de furacão?
Fiquei de olho naquela boca que eu iria dar um beijinho. Naquele verão, contei mais de cem pontos.
- Claro. Que não. Aqui não tem furacão.
Mas já teve um, quando você viajou com seus pais pra BH.
- No verão do ano passado?
Toda vez que ela se interessava pelas coisas que eu dizia, eu contava pontos. Um... Foi. Foi num dia muito quente que peixe nem pulava do mar com medo de cozinhar em banho-maria.
Ela parecia que não queria ouvir mentirinhas.
- Você e suas histórias, Bento.
Menos um... É, mas foi verdade que eu vi o olho do furacão. Estava tão quente que o pessoal do condomínio inventou um jeito de refrescar o pátio. O Bifão ligou o chuveirão e colocou um ventilador pra espalhar água n'a gente...
- Sei, mas e o olho...
Menos um. Não, mais um, ela estava interessada no fim da história... Então, todo mundo estava molhado e suado e o pai do Chico resolveu levar a gente pra refrescar de verdade. Naquele carrão dele, de rali. O pessoal molhou o carro todo, mas não tinha problema, porque carro de rali é pra essas coisas.
- E aí? Fala logo.
Mais um. Agora são dois... E aí a gente foi numa praia quase deserta com muita onda pra surfista. Tinha muita gente na água surfando...
- Muita gente? Não tava deserta?
Eu disse quase deserta.
Os olhos de Mila me confundem. Droga, menos um... Na verdade eram uns cinco surfistas, saíram correndo, ou melhor nadando. Não, correram e depois...
Mila já estava nervosa, devia ser de ansiedade. Mais um.
- Nadaram e depois correram, ahn?
E disseram que as ondas estavam crescendo estranhamente, que parecia maremoto.
Mila estava incrédula.
- Maremoto no Brasil?
De repente o mar subiu tanto, mas tanto que se juntou com um vento redondo vindo de uma nuvem, e ficou girando, girando...
- Nooossa!
Eu adoro quando você gosta das minhas histórias, Mila. Não vai pra BH nesse verão não? Eu prometo que esse verão vai ser o melhor de todos os verões.
- Melhor que ver olho de furacão?
Fiquei de olho naquela boca que eu iria dar um beijinho. Naquele verão, contei mais de cem pontos.
15.9.09
Diversão Gigante
Quarta-feira é um bom dia pra ir á cinema, tem pouca gente. Cinema é diversão coletiva, a quantidade de pessoas não deveria incomodar, mas incomoda mais que três elefantes. Fui ver um filme que estivesse pra começar, adoro surpresas.
A surpresa era assustadora, um filme uruguaio. Pelo cartaz parecia um filme de cenas tediosas com personagens que não gostaria de conhecer. Estava gigantemente enganada.
“Gigante”, primeiro filme de Adrián Biniez, é cinemão, gigante mesmo. Traz a tona aquele nosso eu pequeninho que está lá na infância ou num momento de insegurança qualquer. O personagem pelo qual é inevitável não torcer a favor, é um grande cara escondido atrás de uma aparência, “grande” demais. Aliás o gigante personagem está escondido, literalmente, no trabalho e na vida. Em dias de reality shows, o cara que tem TV a cabo em casa, se apaixona por alguém de seu pobrinho emprego através das câmeras. Espiar é seu ofício. E nós, platéia, somos os únicos a conhecer seu segredo, numa história de amor previsívelmente delicioso.
Um Shreck cult, um Cyrano de Bergerac um, sei lá. Não rotule, não tenha medo do nada atraente cartaz. Assista sem medo de ser feliz e tenha uma diversão gigante.
A surpresa era assustadora, um filme uruguaio. Pelo cartaz parecia um filme de cenas tediosas com personagens que não gostaria de conhecer. Estava gigantemente enganada.
“Gigante”, primeiro filme de Adrián Biniez, é cinemão, gigante mesmo. Traz a tona aquele nosso eu pequeninho que está lá na infância ou num momento de insegurança qualquer. O personagem pelo qual é inevitável não torcer a favor, é um grande cara escondido atrás de uma aparência, “grande” demais. Aliás o gigante personagem está escondido, literalmente, no trabalho e na vida. Em dias de reality shows, o cara que tem TV a cabo em casa, se apaixona por alguém de seu pobrinho emprego através das câmeras. Espiar é seu ofício. E nós, platéia, somos os únicos a conhecer seu segredo, numa história de amor previsívelmente delicioso.
Um Shreck cult, um Cyrano de Bergerac um, sei lá. Não rotule, não tenha medo do nada atraente cartaz. Assista sem medo de ser feliz e tenha uma diversão gigante.
11.9.09
Fofoca da Madonna

“Magra que dá medo”, li um dia desses numa revista de fofoca.
Pois tenho uma bomba pra contar... Foi assim que a popstar saiu por aí, disfarçada de si mesma, até a descobrirem. Um mês sem ser fotografada, sem ser assediada por fãs e jornalistas, sem ser famosa. Pôde agir como uma virgem, pelo menos o entusiamo era o mesmo. Conheceu pessoas simples, vejam só seu sonho.
Resolveu dar sumiço no interior do Brasil, disseram que tinha boa cachaça. E lá foi ela, beber como um pé inchado qualquer. Bebeu com Juvenal, Maicou, José e vários outros pinguços muito simpáticos, mas que por causa da sua idade talvez, não se interessaram por ela, imaginem se soubessem que beberam com a Madonna. Com o pouco português que aprendeu graças ao bom “Jesus”, pôde pedir toucinho e outras interessantes iguarias que há tempos queria comer e não podia.
Não dispensou um convite para enterro, porque parecia mais uma festa, tinha ponche, coxinha de galinha e empadinha. Naquele lugar provinciano, foi feliz. Foi em missas, casamentos e batizados. Comeu assados, cozidos, feijoadas, pães de queijo, doces de abóbora e claro, muita cachaça.
Dotada de bustos e traseiro gigante, Madonna enfim decidiu voltar á Londres. Mas até agora ninguém a reconheceu...
Pois tenho uma bomba pra contar... Foi assim que a popstar saiu por aí, disfarçada de si mesma, até a descobrirem. Um mês sem ser fotografada, sem ser assediada por fãs e jornalistas, sem ser famosa. Pôde agir como uma virgem, pelo menos o entusiamo era o mesmo. Conheceu pessoas simples, vejam só seu sonho.
Resolveu dar sumiço no interior do Brasil, disseram que tinha boa cachaça. E lá foi ela, beber como um pé inchado qualquer. Bebeu com Juvenal, Maicou, José e vários outros pinguços muito simpáticos, mas que por causa da sua idade talvez, não se interessaram por ela, imaginem se soubessem que beberam com a Madonna. Com o pouco português que aprendeu graças ao bom “Jesus”, pôde pedir toucinho e outras interessantes iguarias que há tempos queria comer e não podia.
Não dispensou um convite para enterro, porque parecia mais uma festa, tinha ponche, coxinha de galinha e empadinha. Naquele lugar provinciano, foi feliz. Foi em missas, casamentos e batizados. Comeu assados, cozidos, feijoadas, pães de queijo, doces de abóbora e claro, muita cachaça.
Dotada de bustos e traseiro gigante, Madonna enfim decidiu voltar á Londres. Mas até agora ninguém a reconheceu...
17.5.09
Para o meu solzinho
Quando Manoel me visita
ele vem com palhaçada
solta alguma rima
transforma as agruras do dia em poesia
pra todo problema, ele é medicina
sua presença irradia
é o sol no parquinho das crianças
suas palavras evocam malícia e dança
é o vinho numa refeição santa
Ah, Manoel, me visita todo dia?
ele vem com palhaçada
solta alguma rima
transforma as agruras do dia em poesia
pra todo problema, ele é medicina
sua presença irradia
é o sol no parquinho das crianças
suas palavras evocam malícia e dança
é o vinho numa refeição santa
Ah, Manoel, me visita todo dia?
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